Aplicação Aérea: Estudo realizado em 284 mil hectares comprova eficácia do IFD

O sistema IFD (Inspeção de Faixa de Deposição) se firmou no mercado nacional, e tem sido alavancado por empresas ligadas à tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, como o Grupo Inquima. Esse pioneirismo, em parceria com a AgroEfetiva, possibilita levar a tecnologia e resultados melhores aos usuários de aplicações aéreas em várias regiões do Brasil. 

Um amplo trabalho de Inspeção de Faixa de Deposição conduzido pelas duas empresas avaliou aeronaves e aplicações realizadas em 284 mil hectares, permitindo a coleta de informações  e dados que comprovam a eficácia do IFD. Os trabalhos realizados nos municípios de Campo Verde, Sorriso e Querência, no Mato Grosso, entre os dias 18 e 22 de novembro de 2019, permitiram um estudo detalhado e o levantamento de dicas e melhores práticas para a aplicação aérea.

Aeronaves avaliadas pelo sistema IFD – Inspeção da Faixa de Deposição, em Sorriso/MT.

O que é faixa de deposição?

O primeiro passo para entender a importância deste trabalho é saber o que é faixa útil de deposição e o que define a largura dessa faixa. 

Um dos parâmetros mais importantes nas aplicações aéreas é a uniformidade de deposição. A uniformidade pode ser medida pelo Coeficiente de Variação (CV) das doses no campo, que é o parâmetro que se usa para a determinação da faixa útil de trabalho, com base na uniformidade da dose. Quanto maior a faixa útil de uma aplicação, maior a capacidade de trabalho da aeronave e menor o custo da aplicação. Entretanto, a faixa não pode ser aumentada indefinidamente, pois isso aumenta o CV e degrada a qualidade. O segredo de uma aplicação mais eficiente é obter a maior faixa útil com o menor CV possível. Na prática, considera-se o CV de até 15% como ótimo para uma aplicação, e 20% como aceitável. Valores altos de coeficiente de variação resultam em falhas de aplicação, podendo causar as desuniformidades observadas, que na prática são chamadas de “faixas na lavoura”. 

 

Quando surgiu esse trabalho no Brasil?

No passado, as faixas de deposição eram avaliadas utilizando-se principalmente papéis hidrossensíveis. O método era trabalhoso e pouco preciso. Com isso, as aplicações aéreas no país ficaram por muitos anos dependentes de conhecimento empírico sobre a faixa de deposição adequada para cada aeronave agrícola. 

Dispositivos utilizados para as coletas de informações, como altura de voo.

Para resolver este problema, em 2017 o IFD foi introduzido no Brasil pela AgroEfetiva. A base técnica para esse trabalho é o uso de um sistema automatizado de coleta de deposição com espectrofotometria de fio. A aeronave aplica uma calda contendo um corante sobre um fio, que é analisado por um aparelho que determina a correta largura de faixa de deposição, bem como auxilia no posicionamento adequado de bicos hidráulicos e atomizadores na barra de pulverização. 

 

Análise do depósito sobre o fio coletor, utilizando o espectrofotômetro de fio.

Qual o ganho ao agricultor? 

Os resultados de 2017 e 2018 mostram que o IFD possibilitou um aumento médio na faixa de deposição de 5,8%, bem como maior uniformidade, com uma redução dos valores médios de CV para cerca de 16,5%. Como benefícios, estes ganhos em desempenho (maior faixa de deposição) e qualidade (menor CV) proporcionam maior eficiência, menores custos e maior segurança nas aplicações.

Exemplo de faixa de deposição com falta de deposição de gotas no centro. Neste caso, o CV foi maior do que 20%. E houve a necessidade do reposicionamento dos bicos na barra de pulverização da aeronave.

 

Qual o Impacto disso no meio agrícola?

Na semana de 18 a 22 de novembro, os trabalhos de IFD avaliaram as faixas de deposição de aeronaves que aplicavam, ao todo, 284.000 ha. Foram ajustadas as larguras de faixa, a uniformidade (CV), bem como ajustado o espectro de gotas. 

Durante as atividades foi constatada uma aeronave que apresentava CV de 30%. Isso certamente causaria falhas nas aplicações. Após o IFD esse valor foi reduzido para 16%. Também houve um caso de uma aplicação que era realizada com faixa de deposição de 15 m, enquanto deveria ser feita com 18 m, ou seja, havia excesso de sobreposição das passadas. 

Também foram realizados ajustes do espectro de gotas, o qual é muito dependente do modelo da aeronave, da marca e modelo do atomizador, mas é fundamental para aumentar a qualidade e segurança da aplicação. 

 

Dicas 

A nossa experiência tem mostrado que algumas práticas ajudam a melhorar a uniformidade das aplicações. Por exemplo, é importante eliminar os vórtices, como de ponta de asas, conferir a vazão de cada VRU (Unidade de Restrição Variável) e substituí-los quando houver desgaste, usar as barras distantes dos bordos de fuga das asas, não voar muito baixo, e claro, nem muito alto (em média de 3 a 5 m). 

Gotas classificadas como muito finas são mais suscetíveis às perdas por deriva e evaporação, ao deslocamento pelos vórtices. No entanto, papéis hidrossensíveis e os programas utilizados para essa avaliação não são bons para a classificação do espectro de gotas, indicando falsos resultados. Caso os fabricantes não tenham informações, procurem um especialista da área. 

 

Próximos passos

A largura de faixa e o posicionamento dos bicos hidráulicos e atomizadores rotativos é particular para cada aeronave. O correto é que toda aeronave passe por um processo de IFD. Desta forma, há grande expectativa de que o serviço continue sendo oferecido aos usuários de aplicações aéreas, dispostos a investir em tecnologia, inovação, qualidade e otimização dos custos do tratamento fitossanitário. Há muito trabalho a ser feito, mas os resultados têm provado que toda a energia gasta na preparação das aeronaves tem sido muito bem aproveitada no campo.

 

Autores: Fernando Kassis Carvalho1, Rodolfo G. Chechetto1, Alisson A. B. Mota1, Ulisses R. Antuniassi2.

Dr., Pesquisador na AgroEfetiva, Botucatu/SP. fernando@agroefetiva.com.br

Professor Dr., FCA-UNESP, Botucatu/SP. ulisses.antuniassi@unesp.br

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