Helicoverpa armigera – Resistência da lagarta a piretroides no Brasil

Um dos fatores da resistência a piretroides em populações brasileiras de Helicoverpa armigera é a alta frequência do gene CYP337B3 do citocromo P450

Helicoverpa armigera é uma das principais pragas de diversas culturas em todo o mundo. A espécie possui um alto potencial de reprodução, uma ampla gama de hospedeiros (mais de 60) e está presente nos cinco continentes do planeta. O registro oficial de H. armigera no Brasil ocorreu pela primeira vez em 2013 e, devido à severidade dos danos causados em decorrência de seu ataque nas plantações, houve um aumento no número de aplicações e nas doses de inseticidas para tentar contê-la, resultando no aumento da pressão de seleção e acelerando a evolução da resistência.

Um dos grupos de inseticidas recomendados em ação emergencial para o controle da praga é o dos piretroides (Grupo 3A). Eles são moduladores dos canais de sódio e exercem efeito significativo mantendo os canais de sódio abertos ocasionando a entrada permanente de sódio na célula o que resulta em transmissões de impulsos nervosos repetitivos e descontrolados, hiperexcitabilidade, perda da postura locomotora, paralisia e morte.

A resistência a piretroides foi reportada nos países de origem de H. armigera (Índia, China, Paquistão e Austrália) e na maioria dos casos está relacionada a detoxificação do inseticida por meio da ação de enzimas tais como: glutationa-S-transferases (GSTs), esterases (ESTs) e citocromo P450 (CYPs). Essas enzimas possuem a capacidade de metabolizar a molécula inseticida e transformá-la em um composto não tóxico à praga-alvo.

Assim, pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) caracterizaram a suscetibilidade de populações brasileiras de H. armigera para dois piretroides (deltametrina e fenvalerate). Foi feito o monitoramento da suscetibilidade a esses inseticidas e a investigação dos mecanismos envolvidos na resistência de H. armigera a piretroides no Brasil. Para isso, realizaram bioensaios usando sinergistas (PBO, DEF e DEM) (têm a finalidade de suprimir o efeito de enzimas destoxificativas) e estimaram a frequência do gene de resistência CYP337B3 pertencente ao grupo das monooxigenases do citocromo P450.

Os resultados mostraram que mesmo utilizando a dose mais alta nas aplicações dos inseticidas, as populações de H. armigera tiveram mortalidade inferior a 50%. Quando as lagartas foram tratadas com o sinergista PBO (inibidor de enzimas P450) juntamente com a dose diagnóstica do inseticida específico a mortalidade de todas as populações foi de 100%. Além disso, todas as populações apresentaram o gene CYP337B3, com uma frequência acima de 0,95.

Isso demonstra que a resistência a piretroides em populações de H. armigera no Brasil está associada a alta frequência do gene CYP337B3 do citocromo P450. Os resultados evidenciam a importância da implementação de estratégias de manejo da resistência para conseguir preservar a eficácia dos produtos químicos, retardar o processo de seleção de indivíduos resistentes em uma população, controlar a praga e mantê-la em níveis toleráveis abaixo do limiar de dano econômico. Para que o manejo seja realizado com sucesso é imprescindível a adoção de programas de detecção e monitoramento da resistência em populações de praga em campo, até mesmo para nortear os produtores agrícolas ao uso racional dos inseticidas.

Fonte: Defesa Vegetal

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